Frenesi

A hora de dormir passou há tempo
Eu não passo
De volta em volta
“Solta as mãos no looping”
“Fecha os olhos, já vai acabar”
Tickets que não comprei.
Quem dera eu enxergasse,
Buraco de minhoca.
Aí eu saia e gritava:
Saí!
Tem que ser assim
Escapismo consciente
Se não, é tudo outra vez
Olha lá um eu,
Nem quero ver.
Escapismo consciente
Eu, mas sem ser.
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Vômito

Dia chato não tem bossa nem trabalho
Só eu e o lençol que fiz questão de não trocar.
Wi-Fi fora do ar,
Mosquito zombindo
Eu e o colchão vazio
Do lado direito ou esquerdo tanto faz.
Escuro pra não queimar.
Pensar em opostos me dá enjoo,
Em como tudo tem dois lados
Queria que fosse um só:
O meu.
Eu e o colchão que é meu,
Lençol com meu próprio cheiro,
Mosquito com meu sangue dentro.
Meu escuro de ninar
Lullaby eu escuto,
Ela cantava para que eu dormisse:
“Dorme o cisne, dorme a dor
Nesse lago tran qui lo
Dorme o ódio, dorme o amor,
Falem baixo por fa vor.
Ah, minha mãe! Saudades de seu útero.

Nem tão doce despertar

    De segunda a sexta o alarme do celular dispara as oito da manhã. Sua música é estridente e repetitiva, as vezes mistura-se aos sonhos, tornando-se o portal de saída deles. Os olhos pesados relutam em abrir, quando o fazem acostumam-se rapidamente a escuridão do quartos proporcionada pela cortina pesada.
     Quase não se vê nada, apenas a tela do pequeno aparelho que insiste em tocar e o móvel sobre o qual ele se encontra. Uma escrivaninha com roupas espalhadas por sua superfície, já que mais frequentemente serve como cabide e não como mesa de estudos. Ela está a apenas três passos, mas para o corpo sonolento essa distância parece gigantesca.
     O insistente despertador faz com que a distância seja vencida. Os dedos rapidamente deslizam a tela para a função “soneca” que proporcionará dez belos minutos de silêncio. O corpo retorna a cama que traz a reconfortante sensação de refúgio das obrigações que o dia carrega. Ela é como uma bolha particular, a zona de conforto, que abraça o corpo suavemente e aprisiona-lo. Os cobertores são as grades dessa macia prisão. Há nela outro prisioneiro, um urso de pelúcia cor de creme, do tamanho de uma pessoa pequena. Um perfeito companheiro de sono, já que não ronca nem se move. Está sempre lá, inerte.
    Os olhos tornam a fechar, mas a mente já está desperta e cogita cancelar a função soneca e dormir pelo resto da manhã, quase o faz, porém reflete sobre as consequências dessa escolha e julga que sair da cama é inevitável. Pensa em seus afazeres, desde a escolha do café da manhã até o trabalho que está com o prazo de entrega quase expirando e precisa ser concluído. De forma pessimista antecipa as possíveis dificuldades que encontrará na tentativa de cumprir seus objetivos diários. O fluxo de pensamentos é afetado pela ansiedade é quando busca acalmar-se no conforto da cama, o despertador toca novamente. É o ultimato.
    A cortina é erguida e a janela aberta para que a entrada do sol concretize a inevitabilidade do início da rotina. A luz amarela que onde o quarto fax os olhos arderem e a visão da cama parece mais convidativa do que nunca, porém a bexiga cheia, o estômago vazio e a garganta seca falam mais alto e finalmente, obrigam o corpo a dar mais de três passos.

Febril

   Anseio por saber. Ansiar é antecipar e ansiando antecipo a catrosfe. Ansiedade é desconforto com a espera e espero devaneando. Inevitável não esperar nada desejado.
    Ah , o desejo! Se ao menos fosse palpável com tal clareza eu identificaria o que o impulsiona. Mas ele é tão confuso como eu, pois é meu. Ignora-lo-ia se não reconhecesse sua força. Força remete a grandeza, logo julgo-o algo importante. Ah os conceitos, tantos e tão repressivos… Se não fossem os conceitos, se não fosse o desejo, se não fosse a espera, o que seria da agonia em mim? Agonia de mim, por sentir-me assim! O que dela seria? Será que eu seria?
    Queria ser sem sentir, mas dói não sentir e sensibilidade dói também. Veja você, é tudo assim: afago nos cabelos, beijo na testa até que facada nas costas, soco na boca do estômago. E nós no meio da confusão. Tremendo vendaval, comoção sem final.
    Além de tudo, sou egoísta não quero entrar na tempestade sem segurar sua mão. Eu preciso, eu preciso saber que você vai comigo, preciso que segure minha mão. Pois, veja você, não contemplo o seu medo de turbulência, mas sim múltiplas possibilidades que fariam com que sua mão não agarrasse a minha. O medo seria motivo simples, compreensível, provável, não me basta, não me basta!
    Minha mente perturbada quer mais, o incômodo. Quer saber se há outros vendáveis e tempestades, outras mãos pra segurar, maiores , mais fortes. Não interessa o medo não, porque o medo não é meu. É minha a inquietação.

I didn’t dream a dream

Beautifully corrupted dimension,
How I need an intervation!
Tic, tic, tic..
Time is ticking away
Even though I broke the clock
Imagine if I had not…

Twenty first century sheep laboring Under the scalding sun
Dripping sweat and is not sweet
Not that I’ve tasted it
It just seems to me
That it’s melting away
The germs on their skins
Is not cleanse, is filled with filth
Tears and piss, body pleas
Doomed and dominated
By the ones who sit on the sun

Collapsing sheeps squeezed in climatized rooms
Sweaty fingers and anxious thoughts
Disguised by yellow teeth and lifeless eyes
Sheeps in front of the idiot box
How they laugh, cheer, believe
The trained monkey is the modern sheep
Panis et circenses, you see

Behind the box they sit on the sun
And they watch and they know
What is God if they rule the world?
They only care about their fake meritocracy
Their properties, screw poverty

 

There’ll be a gathering tonight
The fortunate will dance
The rest will drink the death of their livers
Hopefully forget they’re afraid
Forget they’re in pain
Rest on the holy day and start all over again.

 

Pronomes relativos

Não interessa a rima , parece tudo tão fútil.
Esses nomes , o meu rosto, esses olhos
Só penso no que quero que vejam em mim,
meu eu eu eu eu
E não suas opiniões.

Felicidade parece com perigo
Bem estar e sorrisos,
Eles correm na direção oposta.
Capturo-os por alguns momentos
E ficam guardados na memória por anos…
Parece bonito, mas é tudo horrível
Esse eu,
Dramático , narcísico
Introspectivo

Não sei o que quero dele
Nem ele de mim
O eu que já não é eu,
Que outros criaram
O eu que não sei,
Eu é que não sei!

A chuva não para

Chove muito em Porto Alegre
Não fosse por ela, eu estaria aproveitando
Tomo meu chá, leio livros que parecem nunca acabar
As nuvens estão pesadas
O céu é tristonho
Escuto canções de amores amargos
Espero o bzz bzz do celular
Onde ela está?
Se chover não virá.
Anseio por saber…

Bzzz bzzz
(Mensagem de uma tia)
O pequeno aparelho escuro voa pelo quarto
Com um estrondo acerta a parede
Deixa uma marca branca na tinta azul
Bzz bzz
– Bom dia, Dormiu bem?
Sonhei com você, tive saudade
Passo aí mais tarde.-

Levanta imbecil, chega de sonhos!
Tua tia quer saber se almoças com ela.
Abra a janela,
Tome um banho poque assim ninguém aguenta!
Ela não vem, ainda não entendeu?
A chuva não para, não para
Não para .
Pare então, pois ela não vem.
Pare, pois assim
Ninguém aguenta!

Aging

There was a pretty Little tree
In a pretty little town
A tire swing hanging from a hope
And a pretty little me

As I grew older
the tree got smaller
Fewer branches
No more fruits
The town stopped being pretty
And I’m just standing here
Something’s missing
In the three

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