Oblivion

É pacífico deixar que a água
cubra
minha cabeça
abafe
meus ouvidos
Aplacado.
No escuro, o todo
Nós
E tão somente outros.
Devir
Eu corro sem levantar da cadeira
Giro um mundo
Depois me deito, e espero a hora do jantar.
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Venha aqui e dance o twist.

Barulho de liquidificador
Pedacinhos de beterraba girando
É o roxo sangue.
Turbulência cerebral
Venha agora, com um martelo
Do tamanho de um crânio
Depois dos golpes,  suco de beterraba.
Brindemos!
Ah menina, você é tão tosca
Menina os dentes bonitos
E essas mãos fininhas, pura elegância menina
E o cabelo que dá vontade de puxar, menina
Tem a  outra menina, menina
Mas ela finge ,menina. Eu já não sei
Só funciona no escuro
Ela mente, menina, eu sei.
Menina, será que você me mostraria?
Eu falo pra menina, menina
Falo que daremos a volta por cima
Não fale pra ninguém menina
A menina sabe bem.

Je veux

Eu deliro coletivamente
Ou só
Com uma arma na cabeça
Delito
Deliro o desejo em si,
Na falta de vontade.
Eu poderia dizer que estou morta
Mas é que alguém quer que não esteja
Alguens, talvez até eu.
Ao que tudo indica ainda me importo
“Faz coisas que tu gosta”
Eu atravesso a cidade ,
Pago o dinheiro que não tenho
Respiro toda essa fumaça
Vejo sem,
Sêmen
e ainda me atraso
Pra me encher com alguma coisa
acreditar que algumas  coisas
Dão sentido a outras
Ou é desejo cooptado
Disfarçado com doutorado
Vai saber…

Quem

Mentiras de manhã
E  às quatro horas
Quatro vezes
“É a posição do sol”
Impossibilidade
Foi o sol
Lá vem e de novo
“É a consciência…”
Impossibilitando
Desagrado,
Discordamos
Coroa de espinhos de Cristo
Nasce no leste
Sou ocidental, movo as marés
Enfadonho dualismo!
E se eu disser:
É lua e lua
Minha noite escura
Imbatível.
Não vá raiar em mim,
Que já não estou afim.
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Frenesi

A hora de dormir passou há tempo
Eu não passo
De volta em volta
“Solta as mãos no looping”
“Fecha os olhos, já vai acabar”
Tickets que não comprei.
Quem dera eu enxergasse,
Buraco de minhoca.
Aí eu saia e gritava:
Saí!
Tem que ser assim
Escapismo consciente
Se não, é tudo outra vez
Olha lá um eu,
Nem quero ver.
Escapismo consciente
Eu, mas sem ser.

Vômito

Dia chato não tem bossa nem trabalho
Só eu e o lençol que fiz questão de não trocar.
Wi-Fi fora do ar,
Mosquito zombindo
Eu e o colchão vazio
Do lado direito ou esquerdo tanto faz.
Escuro pra não queimar.
Pensar em opostos me dá enjoo,
Em como tudo tem dois lados
Queria que fosse um só:
O meu.
Eu e o colchão que é meu,
Lençol com meu próprio cheiro,
Mosquito com meu sangue dentro.
Meu escuro de ninar
Lullaby eu escuto,
Ela cantava para que eu dormisse:
“Dorme o cisne, dorme a dor
Nesse lago tran qui lo
Dorme o ódio, dorme o amor,
Falem baixo por fa vor.
Ah, minha mãe! Saudades de seu útero.

Nem tão doce despertar

    De segunda a sexta o alarme do celular dispara as oito da manhã. Sua música é estridente e repetitiva, as vezes mistura-se aos sonhos, tornando-se o portal de saída deles. Os olhos pesados relutam em abrir, quando o fazem acostumam-se rapidamente a escuridão do quartos proporcionada pela cortina pesada.
     Quase não se vê nada, apenas a tela do pequeno aparelho que insiste em tocar e o móvel sobre o qual ele se encontra. Uma escrivaninha com roupas espalhadas por sua superfície, já que mais frequentemente serve como cabide e não como mesa de estudos. Ela está a apenas três passos, mas para o corpo sonolento essa distância parece gigantesca.
     O insistente despertador faz com que a distância seja vencida. Os dedos rapidamente deslizam a tela para a função “soneca” que proporcionará dez belos minutos de silêncio. O corpo retorna a cama que traz a reconfortante sensação de refúgio das obrigações que o dia carrega. Ela é como uma bolha particular, a zona de conforto, que abraça o corpo suavemente e aprisiona-lo. Os cobertores são as grades dessa macia prisão. Há nela outro prisioneiro, um urso de pelúcia cor de creme, do tamanho de uma pessoa pequena. Um perfeito companheiro de sono, já que não ronca nem se move. Está sempre lá, inerte.
    Os olhos tornam a fechar, mas a mente já está desperta e cogita cancelar a função soneca e dormir pelo resto da manhã, quase o faz, porém reflete sobre as consequências dessa escolha e julga que sair da cama é inevitável. Pensa em seus afazeres, desde a escolha do café da manhã até o trabalho que está com o prazo de entrega quase expirando e precisa ser concluído. De forma pessimista antecipa as possíveis dificuldades que encontrará na tentativa de cumprir seus objetivos diários. O fluxo de pensamentos é afetado pela ansiedade é quando busca acalmar-se no conforto da cama, o despertador toca novamente. É o ultimato.
    A cortina é erguida e a janela aberta para que a entrada do sol concretize a inevitabilidade do início da rotina. A luz amarela que onde o quarto fax os olhos arderem e a visão da cama parece mais convidativa do que nunca, porém a bexiga cheia, o estômago vazio e a garganta seca falam mais alto e finalmente, obrigam o corpo a dar mais de três passos.

Febril

   Anseio por saber. Ansiar é antecipar e ansiando antecipo a catrosfe. Ansiedade é desconforto com a espera e espero devaneando. Inevitável não esperar nada desejado.
    Ah , o desejo! Se ao menos fosse palpável com tal clareza eu identificaria o que o impulsiona. Mas ele é tão confuso como eu, pois é meu. Ignora-lo-ia se não reconhecesse sua força. Força remete a grandeza, logo julgo-o algo importante. Ah os conceitos, tantos e tão repressivos… Se não fossem os conceitos, se não fosse o desejo, se não fosse a espera, o que seria da agonia em mim? Agonia de mim, por sentir-me assim! O que dela seria? Será que eu seria?
    Queria ser sem sentir, mas dói não sentir e sensibilidade dói também. Veja você, é tudo assim: afago nos cabelos, beijo na testa até que facada nas costas, soco na boca do estômago. E nós no meio da confusão. Tremendo vendaval, comoção sem final.
    Além de tudo, sou egoísta não quero entrar na tempestade sem segurar sua mão. Eu preciso, eu preciso saber que você vai comigo, preciso que segure minha mão. Pois, veja você, não contemplo o seu medo de turbulência, mas sim múltiplas possibilidades que fariam com que sua mão não agarrasse a minha. O medo seria motivo simples, compreensível, provável, não me basta, não me basta!
    Minha mente perturbada quer mais, o incômodo. Quer saber se há outros vendáveis e tempestades, outras mãos pra segurar, maiores , mais fortes. Não interessa o medo não, porque o medo não é meu. É minha a inquietação.

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